sexta-feira, 20 de abril de 2012

Transformações na foz do Rio Marinho após a instalação da Vale

Vista da Ilha do Príncipe e foz do Rio Marinho anos 1930 (final)  In http://legado.vitoria.es.gov.br/baiadevitoria/
Foto site Baia de Vitória. http://legado.vitoria.es.gov.br/baiadevitoria/
Vista da Ilha do Príncipe e foz do Rio Marinho anos 1940 In http://legado.vitoria.es.gov.br/baiadevitoria/
Revista Capixaba
Vista da foz do Rio Marinho cerca 1960 após a instalação da Vale. Da Revista Capixaba. Pesquisa Gabriela Teixeira

quinta-feira, 12 de abril de 2012


Abaixo assinado em prol do Tombamento do Ofício dos Catraieiros da Baía de Vitória, ES.

“Nós abaixo assinados, considerando que:

1 – A atividade desenvolvida pelos Catraieiros da Baia de Vitória é um dos trabalhos manuais mais antigos do Estado do Espírito Santo, servindo para o transporte de passageiros e cargas através do canal de Vitória e compondo a paisagem e o cotidiano da ilha desde os primórdios da colonização capixaba.
2 – Que a Constituição Federal, na instituição de nosso Estado Democrático de Direito, estabelece que:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
(...)
§ 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
(...)
§ 4º - Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.

3 – Que o valor social do trabalho constitui-se como um dos fundamentos de nossa República.
4 – Que os Catraieiros da Baia de Vitória foram deslocados de seu local de atuação para a realização das obras de ampliação do Porto.
5 – Que esse deslocamento tornou a travessia mais longa, perigosa e demorada, trazendo aos catraieiros prejuízos materiais, com significativa diminuição de suas rendas, e também aumento do desgaste físico, impactando assim sobre a saúde dos trabalhadores.
6 – Que já foi encaminhado ao IPHAN documentos para o tombamento da atividade catraieira como Patrimônio Cultural Imaterial.
7 – Que os catraieiros cumprem uma função que o Estado ignora, que é a implantação do transporte hidroviário em cidades com potencial para desenvolver este sistema.
8 - Que o processo de licenciamento ambiental das obras de expansão do Porto cita “conflito de uso” entre a atividade catraieira e a ampliação portuária, “pois a manutenção dessas atividades depende diretamente do acesso ao canal da Baía de Vitória”. Desse modo, se prevê a “inviabilização da atividade desenvolvida pelos catraieiros no mesmo local”.

Vimos demonstrar apoio à manutenção da atividade secular dos catraieiros, em espaço e condições de trabalho adequados.

Acreditamos que o crescimento da cidade deve considerar o bem estar e a dignidade de seus habitantes, suas práticas e meios de existência.
Por isso, somos a favor do tombamento do trabalho dos catraieiros da Baia de Vitória como Patrimônio Cultural Imaterial e a adoção imediata de medidas que garantam a realização digna desse ofício tradicional que se encontra em situação de grave ameaça frente às obras de expansão do Porto de expansão do Porto de Vitória."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tradição ameaçada - gazeta online

Tradição ameaçada - gazeta online
A revitalização do cais comercial de Vitória ampliará o pátio de cargas de 26 mil metros quadrados para 40 mil metros quadrados, com a demolição de galpões do porto; e ainda, com o aterro de 22 metros em largura e 100 metros em comprimento sobre a baía, incluindo o espaço utilizado pelos catraieiros desde 1940.
O relatório de impacto do Iema, O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, constata a inviabilização da atividade desenvolvida pelos catraieiros; ainda, prevê a interferência temporária no uso do canal por embarcações pesqueiras e possíveis abalos ao entorno. O Iema estabelece condicionantes para amenizar a situação da população impactada, que deveria ser convocada para reuniões que a informasse sobre o projeto, a fim de realizar as adequações sugeridas por suas entidades representativas.

O fato é que a maior obra portuária desde a construção do Cais de Capuaba, divulgada em 2010, vinha passando despercebida pela opinião pública. Com a manifestação de insatisfação por parte dos catraieiros, o impasse se expõe no que se refere ao deslocamento do seu antigo ponto que torna seu percurso mais lento e perigoso. Os catraieiros cederam todo o espaço ocupado desde o século XVI para as atividades portuárias modernas.

Constituem remanescentes de ofício tradicional, com processo de tombamento como bem imaterial, sob o respaldo de direitos humanos de população tradicional (Convenção 169 OIT). A atual situação dos catraieiros deve ser revista pela autoridade portuária. Afinal, cumprem uma função que o Estado ignora: a implantação do transporte hidroviário em cidades com potencial para desenvolver este sistema. Por fim, advém uma questão: quanto tempo de sobrevida comercial do Porto de Vitória justifica a perda de uma atividade histórica e a impossibilidade da reimplantação do sistema de transporte hidroviário na Baía de Vitória?
Clara Luiza Miranda é professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufes

Nota:
Quando escrevi esse artigo (3 semanas antes de ser publicado) não tinha acesso ao projeto de revitalização do Cais Comercial de Vitória, berços 1 e 2, apenas noticias de jornais on line em que se disponibilizava links para videos do youtube, que dão a entender que os galpões seriam derrubados. No projeto que tive acesso, obra licenciada em andamento até dezembro de 2012,  não consta demolição dos galpões.

Renitentes da cidade


Renitentes da cidade
O enredo do filme Up- Altas Aventuras, Pixar, dirigido por diretor Pete Docter (seu primeiro foi Monstros S.A.), conta as aventuras que Carl (um idoso viúvo) Com o passar dos anos a cidade cresce em volta da casa de Carl, mudando totalmente a escala. Carl se recusa a vendê-la para a construção de mais um prédio. Depois de uma desavença com um trabalhador da construção civil, o tribunal ordena Carl a se mudar para um asilo. Ele quer manter a promessa de Ellie (sua esposa), e realizar o sonho de ambos, então inventa um esquema com seu velho material profissional para criar um dirigível improvisado com milhares de balões de gás, que arranca a casa fora de suas bases para sair flutuando céu afora.
Há também a história de resistência de Jonathan Zimmermann (Bruno Ganz) moldurista que resiste à expansão da retroárea do poderoso Porto de Hamburgo. Mas a história não tem a ver com isso ver filme de Wim Wenders, de 1977, baseado na história Ripley's Game de Patricia Highsmith.
Casa de Carl e Atracadouro do catraeiros em Paul, Vila Velha.

Assim como o personagem Carl e a família de Jonathan, os catraeiros tem resistido ao crescimento do porto de Vitória e de Vila Velha, e ainda às novas instalações de equipamentos da Petrobrás com tanques alcool e outros combustíveis. É  uma longa história de resistência e permanência no espaço (quase 500 anos).
O video abaixo [talvez] especulativo apresenta os planos futuros (?) da Codesa, Porto de Vitória para o centro da cidade. Nenhum edifício do porto fica de pé, inclusive o Armazém 1, já tombado pelo patrimônio (estadual ou federal). Há indicação de ampliação da Av. Beira Mar, o que sugere articulação para implantação do BRT. De modo que a cidade fica atrás do porto como sempre nem espaço para os catraeiros nem espaços culturais...